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Taxa básica de juros vem caindo, mas juros nos bancos vão em outra direção

João Antônio Motta

16/12/2019 05h38

Como a taxa básica de juros (Selic) caiu para inacreditáveis 4,5% ao ano, com expectativa de baixa ainda para o próximo ano, é importante que nossa conversa seja o preço do futuro: os juros. Sim, porque juros, basicamente, são o preço que você paga para antecipar o futuro, para ter hoje o que, poupando, teria amanhã. Mas, primeiro, vamos apresentar o que é a Selic

O governo tem uma espécie de "cheque especial", que são os títulos públicos, pois, como todos os endividados, ele gasta mais do que arrecada e, dessa forma, tem que buscar dinheiro prometendo pagar lá adiante. Daí, emite estes títulos públicos, que os bancos têm de comprar. A Selic representa uma média da remuneração dos bancos com os títulos públicos. Ela representa o que o governo espera pagar e, também, um importante mecanismo de controle dos juros bancários, pois sinaliza o que esperar do futuro.

A vida dos bancos é comprar e vender dinheiro, que é uma mercadoria como qualquer outra. O preço desta mercadoria, os juros, são calculados em um exercício de tentar prever o futuro, mas, e principalmente, quanto eles estão pagando pelo dinheiro. Basicamente, é como comprar e vender qualquer mercadoria, o que se regula também por oferta e procura.

Claro que isso é a teoria, pois, com cinco bancos dominando mais de 90% do mercado, isso não ocorre. Hoje, qualquer investimento que dê retorno de 0,5% ao mês já é para aplaudir de pé. No entanto, não se vê nos bancos taxas de empréstimo de 1% ao mês, o que já seria uma margem de 100% ao banco sobre os juros pagos aos investidores e aqueles cobrados dos clientes.

As taxas são muito maiores e não estão baixando junto com a taxa Selic. Segundo dados do BC, em novembro de 2018, a taxa média de financiamento junto aos bancos estava em 3,69% ao mês. Em novembro de 2019, foi para 3,72%. A Selic no mesmo período estava em 6,5% ao ano e caiu para 5% ao ano. 

Como se pode concluir, a redução da taxa básica de juros não tem sido um sinalizador adequado para os bancos reduzirem suas margens de ganho, pois, além de as taxas não caírem, elas teimosamente aumentam. Isso é o resultado de uma concentração absurda no setor bancário, onde não há concorrência, o que deve levar você a pensar muito e colocar os dois pés para trás quando quiser antecipar o futuro – pois o preço é alto, muito alto.

Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

E-mail de contato: contato@jacmlaw.com

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.

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