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Blog do João Antônio Motta

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Cadastro positivo fará mesmo o milagre de baixar juros dos bancos?

João Antônio Motta

21/10/2019 06h48

Com a Lei Complementar 166, de abril de 2019, as empresas de bancos de dados estão autorizadas, desde julho, a receber informações sobre dados financeiros e hábitos de pagamentos, a fim de construir um histórico de crédito de todos os brasileiros, o que se deu o nome de cadastro positivo. 

A expectativa para todos é que, com uma análise de crédito com muito mais informações disponíveis, os juros realmente caiam.

É que, com mais dados para formação do score, incluindo-se hábitos de pagamentos, perfil de gastos e comprometimento de renda, a análise para concessão do crédito será mais robusta, e isso levará à derrubada dos juros. 

Mas será assim mesmo?

Os bancos analisam os pedidos de crédito com base em sua pontuação. Este score, como é chamado, varia de 0 a 1.000 e é realizado com base no seu perfil, como idade, estado civil, renda, se é ou não investidor, sua pontualidade nos pagamentos, endereço e outros, variando de instituição para instituição.

Com base nestes dados, os bancos lhe atribuem pontos que são assim classificados: de 0 a 300 é considerado alta a probabilidade de inadimplência; de 301 a 700 o risco de inadimplência é médio; e, de 701 a 1000, o risco é baixo, e você considerado um bom pagador.

Não é preciso ser matemático para ver que, se você está com uma pontuação baixa, dificilmente conseguirá levantar algum empréstimo. Na pontuação média passará de negativa do crédito a taxas mais altas e, para obter empréstimos com taxas boas e sem muita conversa, pense em sua pontuação acima de 800, ou melhor, acima de 900.

Este é o cenário no papel, mas a realidade é muito diferente. 

Eu tenho um score muito bom, na verdade excelente:

Contudo, meu cheque especial tem juros que fariam corar Shylock, o agiota que cobra Antonio em "O Mercador de Veneza", de Shakespeare.

Como se lê na figura ao lado, tenho um CET (Custo Efetivo Total) de 12,37% ao mês, 313, 28% ao ano.


Eu me sinto como Antonio, prestes a ter arrancada uma libra de carne de meu coração e sem perspectiva de que o sangue – não contratado – não seja levado junto.

Perdoem o pessimismo, mas em tempos de Selic a 5,5% ao ano e um crédito, mesmo que emergencial, a alguém com score de 967 de 1.000 em 12,37% ao mês, não é normal, não é sequer razoável. 

Por isso, esperemos sentados e bem sentados que o cadastro positivo vá baixar os juros nos bancos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

E-mail de contato: contato@jacmlaw.com

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.

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