Blog do João Antônio Motta http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras Mon, 14 Oct 2019 07:36:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Tecnologia, agronegócio, sustentabilidade e a mania de levar vantagem http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/10/14/tecnologia-agronegocio-sustentabilidade-e-a-mania-de-levar-vantagem/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/10/14/tecnologia-agronegocio-sustentabilidade-e-a-mania-de-levar-vantagem/#respond Mon, 14 Oct 2019 07:36:29 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=352 Chegaram ao campo as expressões “big data”, “BI/analytics”, “analytics” e inteligência artificial, entre outras, para a avaliação na concessão e aplicação do crédito rural. 

Isso é de fundamental importância para as estratégias de negócio e comercialização, colocando o insumo crédito como efetiva parceria ao agronegócio.

Em março de 2000, no “Encontro Nacional de Responsabilidade Civil”, realizado em Recife (PE), tive a oportunidade de falar sobre a responsabilidade do banco em relação ao dano ambiental, decorrente da concessão do crédito rural.

Hoje, há no Ministério do Meio Ambiente o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR), ao qual os bancos se socorrem a fim de verificar se a propriedade está em conformidade às exigências ambientais.

Não existe mais no cenário bancário a concessão do crédito sem rigorosa fiscalização sobre a sua aplicação, em especial sobre a ocorrência de um problema ambiental.

E a tecnologia, seja para concessão do crédito, seja para a fiscalização na sua aplicação, é que torna o agronegócio o destaque na economia nacional. Faça chuva ou faça sol, o agronegócio é peça fundamental ao Brasil.

Aliás, um agronegócio que tem respeito e coerência com meio ambiente, apesar da gritaria generalizada dos ecologistas. O que não é ruim, na medida em que deixa todos alertas para eventuais desvios de conduta de um ou de outro.

Há pouco publiquei um texto sobre a utilização da tecnologia “blockchain” pelo BNDES na concessão dos empréstimos, tornando, assim, a possibilidade de fiscalização na aplicação do crédito e a respectiva prestação de contas instantâneas em tempo real e permitindo para o cliente ou para o banco verificar a correção dos procedimentos de um e outro.

A meu ver esta é a tecnologia que, ao crédito rural, levará o agronegócio a um nível ainda superior de excelência.

É que, com a tecnologia “blockchain”, o tomador do crédito receberá “tokens” com destinação específica ao projeto. Serão para adubos, defensivos, máquinas, mão de obra e assim por diante. 

Estes “tokens”, resgatados no banco, permitirão em tempo real a fiscalização sobre a aplicação do crédito e, em especial, se foram utilizados na lavoura, por exemplo, agrotóxicos que possam causar problemas ambientais. 

Como se pode ver, a tecnologia bancária ao agronegócio é um ponto-chave de desenvolvimento sustentável de todos e do Brasil, bastando aos bancos lembrar, contudo, que, após o vencimento do crédito rural, os encargos exigíveis são a elevação dos juros contratados em 1% ao ano e multa de 10%. Nada mais.

]]>
0
Muito cuidado com o pagamento dos boletos em lotéricas http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/10/07/muito-cuidado-com-o-pagamento-dos-boletos-em-lotericas/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/10/07/muito-cuidado-com-o-pagamento-dos-boletos-em-lotericas/#respond Mon, 07 Oct 2019 08:53:40 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=349 A Caixa Econômica Federal, por meio das casas lotéricas, presta serviços de inestimável valor à população, recebendo pagamentos de diversas contas, saques de Bolsa Família, PIS/PASEP e FGTS, benefícios do INSS e até mesmo recargas de celulares. 

Acontece que, conversando com um colega advogado, fui surpreendido com um fato muito estranho: alguns boletos pagos nas lotéricas, com a devida autenticação, não têm os respectivos valores pagos ao beneficiário do documento, gerando todos os problemas decorrentes do não pagamento. 

Ou seja, o devedor vai à lotérica, paga sua conta, retorna com o boleto para casa e o “arquiva” no fundo de qualquer gaveta, quando não joga fora o comprovante. 

Passados um ou dois meses, começam as ligações de cobrança e o encaminhamento do nome do devedor impontual aos órgãos de restrição cadastral, afinal o credor não recebeu o pagamento devido. 

Se o devedor guardou o comprovante do pagamento começa a “via crucis”. Vai à lotérica, que diz ter sido um problema de autenticação com o código de barras, orientando a procurar a agência da Caixa Econômica Federal a qual a lotérica está vinculada. 

Chegando lá e desde que munido do comprovante do pagamento, a Caixa reconhece que “houve um problema” e que o dinheiro não foi repassado ao beneficiário do boleto, prontificando-se a devolver o valor. 

Acontece que o credor não recebeu, e pouco lhe importa o problema da Caixa, ele vai cobrar do seu devedor multa e juros pelo atraso. Noutra ponta, se foi extraviado o boleto com a autenticação de pagamento, o devedor vai ter de pagar a conta novamente e acrescida de juros e multa 

Fui pesquisar na internet para ver se havia registros deste tipo de situação e, por incrível que pareça, desde 2008 há notícias de problemas na autenticação de boletos e não repasse dos respectivos valores aos beneficiários. 

Em 2011 foi julgado um caso pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no qual uma estudante de Juiz de Fora fez sua inscrição para um concurso público e, justamente por este tipo de erro, o pagamento não chegou ao beneficiário, resultando não ter sido possível a realização do exame, sendo condenada a casa lotérica pelo dano causado. 

A dimensão deste problema é enorme, pois o colega que apresentou este caso afirmou que até mesmo condomínios estão orientando a não pagar os boletos em casas lotéricas, pois podem não receber os pagamentos e, assim, gerar multas e juros pelo atraso. 

Procurada, a Caixa Econômica Federal afirmou em nota: “As operações de pagamento de boletos nas unidades lotéricas seguem as regras vigentes de compensação. Caso o cliente não identifique a baixa do pagamento realizado, deverá inicialmente procurar o banco emissor do boleto para regularizar a situação. Se necessário, o cliente poderá procurar uma agência da Caixa para que as tratativas também sejam realizadas quanto à confirmação e comprovação do repasse do valor”. 

Ora, isso é praticamente confirmar o problema e demonstrar pouco ou nenhum interesse na solução. 

A grande questão é que o “ticket médio” dos pagamentos em lotéricas é muito baixo, as ações judiciais devem ser próximas de zero, sendo que sempre poderão restar em conta alguns valores não reclamados na Justiça. Ou seja, pode sair mais caro “resolver” o problema do que deixar como está.  

Esse cenário é pouco inteligente, pois não leva em consideração o prejuízo à imagem da instituição. Aliás, de nada adianta gastar milhões em publicidade, se o cálculo de risco não leva em consideração este dinheiro que vai para o ralo.  

E, para as pessoas que passam por esse problema, vale o alerta: procurem o Procon e, em seguida, o Juizado Especial Federal, apresentando como réus a Caixa e a lotérica. O serviço é gratuito, e a chance de reaver o que pagou com juros e multa é certo, podendo inclusive ser indenizado em danos morais, caso tenha sofrido inscrição nos órgãos de restrição cadastral por uma conta que pagou e, por erro da Caixa, não foi creditado ao beneficiário do boleto.

]]>
0
Mutirões de renegociação de dívidas podem ser excelente negócio, ou não http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/30/mutiroes-de-renegociacao-de-dividas-podem-ser-excelente-negocio-ou-nao/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/30/mutiroes-de-renegociacao-de-dividas-podem-ser-excelente-negocio-ou-nao/#respond Mon, 30 Sep 2019 08:14:17 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=346 Perto dos balanços semestrais, em junho e dezembro, os bancos alugam salões em hotéis e centros de eventos a fim de receber seus devedores, para negociar o recebimento dos seus créditos.

Nestas campanhas são concedidos descontos para pagamentos à vista e, também, parcelamentos a perder de vista, o que pode ser um excelente negócio para resolver problemas com dívidas.

Hoje, todos os maiores bancos do país têm páginas na internet dedicadas à renegociação de dívidas.

Mas o que é necessário para renegociar suas dívidas? Você sabe?

O primeiro passo é ser verdadeiro com você mesmo. Não adianta ser otimista e prometer o que não poderá cumprir.

O ideal é ser conservador e pagar à vista o que realmente está em seu orçamento, evitando assim passar por um novo aperto, apenas trocando de credor. Da mesma forma, não é viável obrigar-se a fazer o parcelamento, no qual o pagamento mensal tome parte do que é necessário para você se manter todo mês. Qualquer das duas situações vai gerar um novo velho problema: você endividado e sem crédito.

Assim, se você já entendeu que não pode pagar à vista e ficar sem nada e, da mesma forma, assumir uma prestação difícil de quitar, agora é trabalhar em ser verdadeiro também com o banco.

Todos os bancos são sociedades anônimas e pagam imposto pelo lucro real, o que vale dizer que eles provisionam as perdas com os acionistas e, após, ainda podem abater parte do crédito em liquidação do imposto a pagar.

Traduzindo, isso quer dizer que os bancos transferem suas perdas para os acionistas, para o governo e, ainda, para os demais clientes por um acréscimo nas taxas de juros, o que pode, após certo tempo, ser uma vantagem na sua negociação, pois tudo que você pagar é retorno de lucro ao banco.

Mas para isso acontecer, você deve demonstrar ao banco suas receitas, suas despesas e um plano de pagamento possível. Ou seja, deve haver um planejamento de sua parte com base em uma documentação real e clara, de forma que o banco possa analisar e ver o quanto está disposto a abrir mão para resolver a pendência.

Se tudo der certo, você estará livre das pendências, e o banco satisfeito em reerguer um cliente, pois o devedor de hoje pode ser um bom cliente amanhã.

O que você não pode fazer, de jeito nenhum, é acertar com o banco, limpar seu nome e cair na farra das compras novamente, pois neste caso o raio vai cair, sim, no mesmo lugar.

]]>
0
Débito automático requer organização e cautela http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/23/debito-automatico-requer-organizacao-e-cautela/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/23/debito-automatico-requer-organizacao-e-cautela/#respond Mon, 23 Sep 2019 09:50:48 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=343 Um dos melhores e mais úteis serviços dos bancos é o débito automático. Com ele, as contas de água, luz, telefone, condomínio e qualquer outra mensal e sucessiva que você seja devedor serão regularmente, na data de vencimento, debitadas na sua conta-corrente.
Não é necessário depender dos serviços dos Correios, que quase sempre estão em greve. Não precisa imprimir boletos que vêm de origens duvidosas, não é necessário ir até a agência e sequer acessar o “internet banking”, sempre situações que envolvem problemas de segurança.
E é muito simples cadastrar as contas para débito automático, pois basta ir uma vez só à agência ou acessar o “internet banking”.
Importante não confundir débito automático com DDA, que é o débito direto autorizado, outro sistema que, apesar de ter sido lançado em 2009, ainda é muito pouco utilizado. Mas isso é assunto para outro texto.
Com o débito automático, o fundamental é administrar sua conta-corrente muito de perto, pois o que é um benefício pode se tornar um problema muito sério.
É que as taxas do cheque especial, como de hábito, estão pela hora da morte.
Se o débito cair na conta e usar parte do limite do cheque especial, o valor que você deve pode ficar muito salgado.
É que o cheque especial se presta a situações emergenciais e apenas quando o cálculo da despesa com ele seja menor que o dos encargos do boleto é que vale a pena sua utilização.
Por exemplo, se a multa por atraso do condomínio for de 20%, sim elas existem, deixar passar alguns dias e até um mês no negativo do cheque especial pode valer a pena. O débito automático terá sido vantajoso.
Agora, com taxa do cheque especial em 12% ao mês, equivalente a 0,38% ao dia e mais IOF que pode chegar a 0,76% do saldo negativo, a situação se complica se a multa do boleto for de 2% e os juros de mora em 1%. Não vale a pena ficar devendo mais que dois dias. Em três dias de saldo negativo você empata com os encargos do boleto.
Por isso que este serviço requer vigilância constante e uma administração rigorosa da sua conta-corrente.
O pior é pensar que transferir sua dívida com outros para o banco pode ser um bom negócio. 
Isso é ruim, mas muito ruim mesmo. Se você esquecer os débitos automáticos que fez e deixar sua conta-corrente sem controle, sua dívida em um curto espaço de tempo será astronômica, pois os juros da conta-corrente, além de absurdamente altos, são contados de maneira exponencial, juros sobre juros.
Mas como há a irrevogável “lei de Murphy”, o banco pode “ajudá-lo” e pagar suas contas mesmo acima do limite do cheque especial, ocasião então que você irá conhecer a “tarifa de adiantamento a depositantes”, que é uma facada de tão cara.
Portanto, para trabalhar com débito automático, tem de estar de olho vivo na conta-corrente e realizar cálculos muito seguros. Caso contrário, o caminho ao desastre será certo.
]]>
0
Novos meios de pagamento: basta um olhar para se endividar http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/novos-meios-de-pagamento-basta-um-olhar-para-se-endividar/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/novos-meios-de-pagamento-basta-um-olhar-para-se-endividar/#respond Mon, 16 Sep 2019 07:29:20 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=340 A moeda, desde o início da civilização, substituiu as trocas, facilitando o comércio e o dia a dia das pessoas.

No entanto, a grande revolução dos meios de pagamento iniciou na década de 50, com a utilização do cartão de crédito, que basicamente consistia em adiar o pagamento a uma data próxima. Assim, não era mais necessário carregar dinheiro, já que as contas se acertariam diretamente nos bancos.

O cartão de crédito foi o início do desuso do dinheiro. Ninguém mais andaria com ele na carteira, a não ser para pagamentos de pequenas quantias e, atualmente, nem mais isso, porque o “dinheiro plástico” é aceito virtualmente em todos os lugares.

Hoje, a China já utiliza em 100% das transações o “mobile payment”, que se dá pelo “smartphone”, por pulseiras ou outros acessórios. Uma tecnologia que se deu o nome de “wearables”, ou tecnologia de vestimentas. 

Toda esta modernidade tecnológica vem do “contactless”, ou pagamento por aproximação. Mas o grande salto e evolução está, sem dúvida alguma, no pagamento por reconhecimento facial, da íris ou até mesmo mapeamento das veias.

Não se pode esquecer que há também o desenvolvimento de tecnologia de “pagamento por terceiros”, no qual o cliente escolhe o produto, e o pagamento é realizado automaticamente. Isso acontece muito com a utilização da tecnologia de pagamento de pedágios nas estradas, que evoluiu para pagamento de gasolina, estacionamentos e hoje até uma rede mundial de lanches a aceita em seu “drive-thru”.  

O grande nó é que exatamente esta facilitação dos meios de pagamento, associada à concessão de crédito como se fosse um produto de prateleira, pode tornar a vida das pessoas muito mais difícil. 

É que se o pagamento for feito sobre saldo disponível do consumidor, a débito, nada há para gerar problema. Mas, em outra ponta, se a facilidade destas novas tecnologias encontrar saldo de crédito aberto em favor do consumidor, o caminho para o superendividamento estará muito bem pavimentado.

Com o pagamento pelo reconhecimento facial ou pelo escaneamento da íris, certamente bastará um olhar para se endividar.

]]>
0
Tokenização: Blockchain dando segurança às operações bancárias http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/09/tokenizacao-blockchain-dando-seguranca-as-operacoes-bancarias/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/09/tokenizacao-blockchain-dando-seguranca-as-operacoes-bancarias/#respond Mon, 09 Sep 2019 07:39:21 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=337 De tanto ouvir nos corredores sobre má aplicação do crédito e “caixa-preta”, em especial aquelas que acontecem em Organizações Não Governamentais (ONGs), as de apoio cultural e financiamentos governamentais, a área de tecnologia do BNDES aproveitou uma ideia sensacional e vai usar a tecnologia blockchain para fiscalizar as operações.

Como? Vai acabar com a prestação de contas do dinheiro público, já que isso ocorrerá em tempo real.

É que a tecnologia blockchain, ou corrente de blocos, emprega um sistema sequencial, onde a impressão digital do anterior (hash) está no posterior e assim por diante, sendo impossível a fraude.

Traduzindo o sistema, basta ver que o dinheiro não vai para quem pegou o crédito, mas para o destinatário da despesa.

É que em financiamentos para fins específicos, como são as operações do BNDES, quem busca o crédito apresenta um projeto onde detalha, passo a passo, como vai empregar o dinheiro que lhe é alcançado pelo banco.

A “caixa-preta” é que quase ninguém corresponde os valores ao banco conforme a destinação deles.

Com o novo sistema isso acaba. O financiado não vai receber dinheiro, mas quantos tokens forem objeto de cada destinação. Por exemplo, se uma parte do dinheiro é para publicidade, somente a agência que recebeu tal token poderá, junto ao BNDES, realizar o seu resgate em dinheiro.

Desta forma, toda a verba terá destino conferido em tempo real da despesa, eliminando a prestação de contas e diminuindo drasticamente as fraudes.

Isso é fantástico, porque não só permite ao banco exercer seu dever de vigilância como, igualmente, poderá antecipar problemas e buscar soluções negociadas.

Notem que esta tecnologia permitirá ao banco, por exemplo, até antecipar problemas com a formação de passivos ambientais, devido a fiscalização da aplicação do crédito em tempo real.

Da mesma forma, qualquer atraso no cronograma de aplicação da verba poderá ser identificado no momento em que surgir o problema, podendo ser aberta tratativa para conhecer a situação enfrentada e a melhor solução, evitando uma crise de liquidez e futura falta de pagamento.

Sabemos que a aplicação certa do crédito é um problema ao correto funcionamento do Sistema Financeiro Nacional, onde os bancos preferem trabalhar com liquidez da garantia e escorarem, o que não é o melhor cenário.

O que se espera é que este sistema seja duplicado para o setor privado, alterando a forma de concessão do crédito e abrigando todas as vantagens, não só de fiscalização, mas também, por exemplo, a antecipação de problemas.

]]>
0
Conta-corrente universitária, muito cuidado http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/conta-corrente-universitaria-muito-cuidado/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/conta-corrente-universitaria-muito-cuidado/#respond Mon, 02 Sep 2019 07:36:58 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=334 Vivemos em tempos que “penso, logo existo” foi substituído por “consumo, logo existo”. A medida do que somos, não raro, é realizada pelas coisas que possuímos, e o ser foi substituído pelo ter. 

Entre os diversos produtos bancários, há um que requer muito, mas muito cuidado mesmo: a conta-corrente universitária.

A forma de ter, de consumir, não tem absolutamente nenhuma variação. Ou se poupa para comprar no futuro, ou se antecipa o futuro pagando um aluguel por isso. Os juros são o preço pela antecipação do futuro.

Este cálculo é muito simples. Se meu ganho é superior ao preço do aluguel, vale a pena antecipar o futuro. Se meus ganhos são inferiores ou estão para se realizar, melhor aguardar.

O perigo está exatamente em que, diariamente, somos bombardeados, com as instruções para comprar isso ou aquilo, em ter alguma coisa. E não é difícil se enganar com uma projeção otimista do próprio futuro.

A conta-corrente universitária tem tarifas menores e permite acesso a crédito, inclusive a quem não tem comprovação de renda. Um convite ao desastre. 

Normalmente, se bem utilizada, a linha de crédito é muito útil, pois pode permitir acesso aos livros e materiais didáticos, computadores e financiamentos a cursos de especialização e pós-graduação.

Mas há de se ter bem presente que o devedor responde com seus bens, presentes e futuros, para o cumprimento de suas obrigações, o que quer dizer que, qualquer cálculo errado, e você poderá se formar e já estar inscrito em órgãos de restrição cadastral, com uma dívida no banco. 

Este tipo de problema foi recorrente nos tribunais alemães na década de 90. A Corte constitucional daquele país reconheceu que o banco não opera de acordo com os bons costumes e a boa-fé, se entrega crédito a quem sequer tem emprego ou renda constituída.

Uma vez que o contratante não tinha patrimônio nem trabalho, o contrato foi considerado inválido.

Portanto, prestem muita atenção quanto aos créditos que podem vir nas contas universitárias, utilizando com critério e responsabilidade.

Da mesma forma, vale o alerta aos bancos, pois há responsabilidade deles em conceder crédito a quem não tem renda ou patrimônio, pois podem ter estes contratos revistos ou até mesmo invalidados. 

]]>
0
Privatização e venda de banco: um bom negócio http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/26/privatizacao-e-venda-de-banco-um-bom-negocio/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/26/privatizacao-e-venda-de-banco-um-bom-negocio/#respond Mon, 26 Aug 2019 07:36:49 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=331 Se você tem uma empresa para vender, certamente quem vai comprar se interessará em saber das dívidas pendentes e das contas a receber. Estas contas, somadas à capacidade de geração de receitas, determinará o preço de venda.

Com os bancos a situação é um pouco diferente, já que eles não podem ficar devendo.

Eles são vistos, principalmente, por sua posição de créditos em liquidação (CL) e lucros e perdas (LP), sendo que pelo regime de tributação que se submetem, lucro real, tais contas podem ser abatidas do imposto

Sem dúvida alguma, a forma de apresentar CL e LP tem relevância para apurar o “lucro real”.

Em maio de 1986 foi editada uma Resolução do Banco Central, que permitia aos bancos e instituições financeiras cobrar, além dos juros de mora, a denominada “comissão de permanência” à taxa de mercado mês a mês.

Isso foi recebido com euforia pelos bancos.

Veja o caso do BANESPA por exemplo. O banco apresentou uma ação de execução contra uma empresa devedora na ordem de R$ 18.131.690,68 em 31 de março de 1995.

Este mesmo crédito foi inscrito pelo próprio BANESPA, como pendente de pagamento, junto a um conhecido órgão de negativação cadastral em 13 de abril de 1999 – quatro anos após – pelo absurdo saldo de R$ 910.932.137,77.

O banco, utilizando a “possibilidade” de corrigir seu saldo com a comissão de permanência à taxa de mercado, usou juros por volta de 8,5% ao mês e, assim, deduziu quase R$ 1 bilhão de reais de seu lucro para tributação e, com este prejuízo, reduziu seu valor de venda.

A manobra de cálculo teve fundamento na norma do Banco Central, mas convenhamos, que belo negócio fez o SANTANDER.

Aliás, recebi diversas mensagens de aposentados do extinto BANESPA, pessoas com mais de 70 anos, que se veem em apuros com suas aposentadorias, congeladas no tempo.

Enquanto isso, títulos do governo federal, que rendiam correção monetária mais 12% ao ano e os quais estavam em garantia destas aposentadorias, desapareceram das demonstrações contábeis atuais do banco.

Êta Brasilzão!!!

]]>
0
Conta vinculada, lá você é credor. Mas paga juros no cheque especial? http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/conta-vinculada-la-voce-e-credor-mas-paga-juros-no-cheque-especial/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/conta-vinculada-la-voce-e-credor-mas-paga-juros-no-cheque-especial/#respond Mon, 19 Aug 2019 07:45:49 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=328 Não é de hoje que os bancos se utilizam dos recursos de clientes e terceiros, que, sob sua mão, passam a ter rentabilidade.

Mas não é este, exatamente, o negócio dos bancos?

Ao contrário, esta prática era e é proibida por antigas normas do Banco Central, e, ainda assim, os bancos não tomam jeito.

Desde a década de 80 o Banco Central determinava em seu Manual de Normas e Instruções que os bancos não podem provocar a elevação das taxas de juros dos contratos, sendo ainda comandado que os valores recebidos de créditos em garantia devem ser aproveitados em pagamento do empréstimo até o dia seguinte do recebimento. 

Mas o que estas determinações do Banco Central significam?

Claramente a ordem é de que os bancos, recebendo os valores dos títulos e documentos em cobrança e estando garantindo empréstimos, devem sem demora colocar o dinheiro recebido em pagamento do empréstimo respectivo.

Ocorre que os bancos não só ficam girando o dinheiro dos clientes na conta em que recebem os créditos, denominada conta vinculada, como – e o que é pior – muitas vezes deixam o cliente ficar devedor na conta corrente, lá pagando juros, quando na conta vinculada ele é credor.

Isso não é de hoje, desde 1993 os tribunais enfrentavam casos assim, de descasamento entre a cobrança da garantia e do empréstimo, manifestando espanto com o atrevimento. 

De lá para cá, nada mudou. 

Portanto, se você contratar um empréstimo e entregar os créditos das suas vendas em cartões como garantia, acompanhe detalhadamente o que e quando o banco receber, pois certamente poderá precisar cobrir o cheque especial, e haverá dinheiro na conta vinculada, que não foi liberado.

]]>
0
Para os bancos, as desculpas são as mesmas e os lucros só aumentam http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/para-os-bancos-as-desculpas-sao-as-mesmas-e-os-lucros-so-aumentam/ http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/para-os-bancos-as-desculpas-sao-as-mesmas-e-os-lucros-so-aumentam/#respond Mon, 12 Aug 2019 07:51:37 +0000 http://joaoantoniomotta.blogosfera.uol.com.br/?p=325 Como o texto sobre os lucros dos bancos gerou uma boa discussão, vamos analisar as desculpas para que o “spread” seja similar às atividades ilícitas. 

As margens de lucro no sistema financeiro brasileiro, diferença entre o que o banco paga para ter o dinheiro e o que cobra para emprestar, estão em segundo lugar no mundo, perdendo apenas para Madagascar e, sinceramente, nem sei como.

A justificativa dos bancos é que eles têm de cobrar caro para emprestar, porque sofrem com a inadimplência dos maus pagadores de um lado e, noutro, a insegurança jurídica que torna difícil a recuperação dos créditos.

Esta mesma conversa vem há décadas sendo repetida e, francamente, não resiste a qualquer análise estudantil.

É que, pelo lobby que fizeram no Congresso Nacional, os bancos conseguiram que tudo aquilo que antes era ilegal passasse por novas leis a ser legal.

Por exemplo: era ilegal cobrar juros sobre juros, hoje há lei permitindo. Isso vale dizer que, se você ficar devendo R$ 10 mil no cheque e seu banco cobrar “apenas” 9% ao mês, ao final de três anos estará devendo o absurdo de R$ 212.512,25.

No mesmo caminho, hoje há garantia substituindo a hipoteca que permite ao banco de forma muito rápida tomar seu imóvel, com intervenção do Poder Judiciário apenas mandar você sair. 

Hoje, se você ficar devendo o financiamento do seu veículo, os bancos podem tomar e vender o mesmo em cinco dias após a busca e apreensão, sem que seja necessária avaliação ou qualquer outra providência judicial.

Não bastasse, se você é comerciante e entregou o produto das suas vendas em cartões de crédito aos bancos, se prepare para trabalhar arduamente para eles. A propósito, a maioria dos créditos bancários não está sujeita à recuperação judicial.

Então, a que insegurança jurídica os bancos se referem? Que bobagem é esta?

Há décadas os bancos afirmam que, quando tivessem normas que facilitassem a recuperação dos créditos, os juros cairiam. As normas vieram, as reformas foram feitas e os juros – surpresa – não caíram.

Ah! Mas por certo a crise que assola o país gerou números estratosféricos de inadimplência!!!  

Também não fiquei surpreendido quando acessei a página do Banco Central, procurando a inadimplência no setor bancário. O último dado publicado quanto à inadimplência total de crédito superior a 90 dias é de parcos 2,97% da carteira, o que é um número realmente baixo.

Convenhamos, todos querem o lucro. Lucro é saudável, é o que se espera de um empreendimento. Agora, repetir as sovadas mentiras anos após anos não faz bem, como também não é legal ficarmos atrás de Madagascar. Se for para contar lorotas, pelos menos fiquemos em primeiro lugar.

 

]]>
0