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Blog do João Antônio Motta

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Mutirões de renegociação de dívidas podem ser excelente negócio, ou não

João Antônio Motta

30/09/2019 05h14

Perto dos balanços semestrais, em junho e dezembro, os bancos alugam salões em hotéis e centros de eventos a fim de receber seus devedores, para negociar o recebimento dos seus créditos.

Nestas campanhas são concedidos descontos para pagamentos à vista e, também, parcelamentos a perder de vista, o que pode ser um excelente negócio para resolver problemas com dívidas.

Hoje, todos os maiores bancos do país têm páginas na internet dedicadas à renegociação de dívidas.

Mas o que é necessário para renegociar suas dívidas? Você sabe?

O primeiro passo é ser verdadeiro com você mesmo. Não adianta ser otimista e prometer o que não poderá cumprir.

O ideal é ser conservador e pagar à vista o que realmente está em seu orçamento, evitando assim passar por um novo aperto, apenas trocando de credor. Da mesma forma, não é viável obrigar-se a fazer o parcelamento, no qual o pagamento mensal tome parte do que é necessário para você se manter todo mês. Qualquer das duas situações vai gerar um novo velho problema: você endividado e sem crédito.

Assim, se você já entendeu que não pode pagar à vista e ficar sem nada e, da mesma forma, assumir uma prestação difícil de quitar, agora é trabalhar em ser verdadeiro também com o banco.

Todos os bancos são sociedades anônimas e pagam imposto pelo lucro real, o que vale dizer que eles provisionam as perdas com os acionistas e, após, ainda podem abater parte do crédito em liquidação do imposto a pagar.

Traduzindo, isso quer dizer que os bancos transferem suas perdas para os acionistas, para o governo e, ainda, para os demais clientes por um acréscimo nas taxas de juros, o que pode, após certo tempo, ser uma vantagem na sua negociação, pois tudo que você pagar é retorno de lucro ao banco.

Mas para isso acontecer, você deve demonstrar ao banco suas receitas, suas despesas e um plano de pagamento possível. Ou seja, deve haver um planejamento de sua parte com base em uma documentação real e clara, de forma que o banco possa analisar e ver o quanto está disposto a abrir mão para resolver a pendência.

Se tudo der certo, você estará livre das pendências, e o banco satisfeito em reerguer um cliente, pois o devedor de hoje pode ser um bom cliente amanhã.

O que você não pode fazer, de jeito nenhum, é acertar com o banco, limpar seu nome e cair na farra das compras novamente, pois neste caso o raio vai cair, sim, no mesmo lugar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

E-mail de contato: contato@jacmlaw.com

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.