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Blog do João Antônio Motta

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Como está sua pontuação para pedir crédito?

João Antônio Motta

12/11/2018 03h00

Caso você não saiba, os bancos analisam os pedidos de crédito com base em sua pontuação: o chamado score. Ele varia de 0 a 1.000 e é calculado com base no seu perfil, como idade, estado civil, renda, se é ou não investidor, sua pontualidade nos pagamentos, endereço e outros fatores, variando de instituição para instituição.

Com base nesses dados, os bancos lhe atribuem pontos. Com essa pontuação, os consumidores são classificados: de 0 a 300, é considerada alta a probabilidade de calote; de 301 a 700, o risco de calote é médio; de 701 a 1000 o risco de calote é baixo e você é considerado um bom pagador.

Não é preciso ser matemático para ver que, se você está com uma pontuação baixa, dificilmente conseguirá levantar algum empréstimo. Na pontuação média, passará de negativa do crédito a taxas mais altas. Se quiser obter empréstimos com taxas boas e sem muita conversa, pense em sua pontuação acima de 800, ou melhor, acima de 900. Ou seja, se você está se afogando e não sabe nadar, é melhor aprender o quanto antes. 

Não é fácil a solução, mesmo porque como aumentar sua renda? Se isso fosse possível, não seria necessário o empréstimo. Mas há algumas providências que podem ajudar a melhorar sua pontuação. A primeira é: não há score bom com o nome sujo. Procure negociar suas dívidas e limpar seu nome. A pontualidade no pagamento das contas é importante. Se for possível, pague suas contas com a antecipação de alguns dias; isso não lhe acarreta nenhum prejuízo e ajuda a melhorar sua pontuação.

Outro aspecto importante é seu perfil no banco. Atualize seus dados e inscreva-se em um "Cadastro Positivo", onde você permite que os bancos e instituições de cadastro de crédito tenham acesso aos seus dados. Isso é importante para melhorar significativamente seu score.

Ainda com o objetivo de melhorar seu perfil, na medida de suas possibilidades, faça o banco ver que você é um investidor. Claro, ninguém está dizendo que você deve ter milhões aplicados, mesmo porque quem tem esse perfil está pouco se importando com o score que lhe é atribuído. Mas se você tiver algumas aplicações em CDB's, Tesouro Direto ou poupança, mesmo que em valores modestos, isso ajuda a alterar a percepção do banco sobre sua pontuação.

Finalmente, nem tente lutar contra, pois a scoragem veio para ficar. Aliás, isso é uma variação do que foi inventado por Earl Isaac e Bill Fair e já falamos aqui: algoritmo. Trata-se de um modelo estatístico que define, por meio da análise de seus dados, suas preferências, manias e atitudes, como você irá se portar, o que irá consumir e como irá pagar. Isso é obra da FICO, a "Fair, Isaac e Co.", uma firma aberta em 1956 pelos dois sujeitos que falei acima e que, em 1989, introduziu essa análise estatística para definir a pontuação de crédito.

Aliás, com base nesse mesmo modelo, hoje na China já existe um "score social", que analisa seu comportamento de forma a lhe permitir, ou negar, acesso a bens e serviços. A situação desse score social é tão séria que lá, de acordo com sua pontuação, você poderá ser proibido de se deslocar de cidade a cidade. Lá, a ideia é "garantir que os maus na sociedade não tenham lugar para ir, enquanto as pessoas boas podem mover-se livremente e sem impedimentos" (Wired Magazine).

Não creio que no Ocidente se chegue a tal extremo, mas, se você pensa em buscar crédito, trate bem de seu score primeiro.

Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.