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Cuidado com cheque especial e cartão: podem ser armadilhas para a família

João Antônio Motta

12/02/2018 04h00

Quando os bancos emprestam dinheiro, pensam única e exclusivamente se vão conseguir recuperar aquele valor de uma maneira fácil. Não se importam se o resultado disso será deixar as pessoas com dívidas impagáveis e com seu futuro comprometido.

Um exemplo disso é o chamado crédito consignado, sobre o qual os bancos miram unicamente na possibilidade do desconto na folha: você recebe o salário e imediatamente o banco pega o valor da prestação.

Vejam este diálogo verdadeiro mas de personagens imaginários, onde o banco telefona para você:

– Bom dia, senhor Alfredo, tudo bem? Aqui é a Aline do Banco Santa Edwiges. Sabendo do excelente histórico com nossa empresa, acabamos de disponibilizar um ótimo beneficio. Tenho certeza de que ajudará bastante o senhor neste momento.
– E o que é, Aline? Eu já tenho muitas dívidas!
– Mas é exatamente por isso que podemos ajudá-lo. O senhor pode estar deixando de ter várias dividas no mercado e nem mais irá se preocupar com os pagamentos, porque o nosso crédito já vem descontado em folha!!!

Pronto, está dado o primeiro passo para o desastre.

É que com o “crédito amigo” do banco, você concentrará todas as suas dívidas em uma só e, como num passe de mágica, todos os outros bancos renovarão os limites do cheque especial e cartões de crédito, os quais certamente você usará como complemento (necessário) de seu salário ou aposentadoria.

Aí está o problema já definitivamente instalado. Você não conseguirá realizar os pagamentos dos limites de cheque especial e cartões, porque com aquele crédito consignado você já teve uma redução de 35% (em tese o limite máximo de desconto em folha) do seu salário ou aposentadoria. Pense bem: com 100% do que você recebe por mês já não conseguia pagar e se endividou, agora com 65% dificilmente conseguirá.

Veja: a troca de dívidas com juros mais altos por outra, na qual os juros são menores, é extremamente benéfica e deveria ajudá-lo, desde que – e somente se – você não volte a se utilizar do cheque especial e crédito rotativo nos cartões de crédito.

Mas você – não sabe como – utilizou os limites de cheque especial e cartões de crédito!

Agora vem a pior parte. O banco que lhe deu o crédito consignado está tranquilo, você recebe e imediatamente pelo desconto em folha ele recebe também. Claro, isso enquanto você continuar no emprego.

Já que você está comprometido com o limite de 35% no primeiro banco, os outros bancos, não podendo lhe conceder crédito consignado, é que lhe propõem renegociar as dívidas, com juros altos e ampliação do prazo, desde que você consiga a garantia de um filho ou mesmo um neto.

No caso, muitas vezes estes “avalistas”, seu filho ou neto, nem sequer têm bens para que pudessem ser considerados como reais garantidores das dívidas, mas ficam assim mesmo colocados lá, no contrato.

O resultado é certo e desastroso: agora não mais só você estará com problemas, mas seu filho ou neto vão também estar com os nomes sujos, o que para conseguir um novo emprego ou até mesmo entrar no mercado de trabalho é também uma causa de dificuldade.

Então lembre: trocar as dívidas por outra com juros mais baixos é um excelente negócio, desde que você não faça mais dívidas. Caso contrário, você pode criar um problemão até mesmo para sua família.

Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.

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