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Ao comprar carro muito barato, você pode se tornar cúmplice de estelionato

João Antônio Motta

29/04/2019 04h49

A criatividade dos criminosos não tem limites. E a esperteza, a idéia de levar vantagem em tudo, pode fazer com que quem não é criminoso se associar a eles, se tornar cúmplice.

Muitas vezes os bandidos usam documentos de laranjas e financiam veículos em bancos. Financiamentos estes que jamais serão pagos. A idéia é anunciar o veículo a um preço extremamente baixo, pois qualquer valor obtido já será lucro, obtendo uma "venda" rápida.

Esta venda rápida, quase sempre, conta com o apoio de quem quer levar vantagem e, que muitas vezes, ficou sabendo (ao menos em parte) da atividade ilícita do vendedor.

Por exemplo, se você vê um veículo anunciado por 20% do seu valor, deve saber, ou ao menos é de se entender que podia saber, que algo não está certo. Acontece que a idéia de que só o banco terá prejuízos, muitas vezes leva o comprador a ter uma visão errada, muito errada, do que pode acontecer.

Alguns anos atrás, uma quadrilha de estelionatários financiava veículos de altíssimo luxo ou esportivos importados em Goiás e os trazia para vender em São Paulo. Os preços eram absurdamente baixos e, dentre eles, haviam alguns até mesmo com busca e apreensão ajuizadas pelos bancos.

O comprador lia o documento, via que estava alienado fiduciariamente para o banco mas, mesmo assim, o preço insignificante o instigava à compra. O veículo tinha documento, não era proveniente de furto, não estava com sua circulação bloqueada e, afinal, quem viria procurar um automóvel de Goiás em São Paulo?

Além disso, o solícito vendedor informava que iria auxiliar na transferência, quando possível. O que não sabia o comprador é que ele passaria de vítima a cúmplice de estelionato.

Os bancos perceberam o golpe e se estruturaram com o objetivo de bloquear os veículos e realizar o mais rápido possível a busca e apreensão. Neste exato momento, o comprador se juntava mais ainda com os golpistas. Muitos deles eram procurados e "trocavam" o automóvel do "cliente", levando o carro com problema e deixando outro, na mesma situação.

Nesta altura dos acontecimentos, a pessoa já devia se preocupar em contratar um bom advogado, pois a esperteza se esvaia pelos dedos. A inclusão no golpe como cúmplice tomava forma.

Exatamente por isso, tenha em mente que ter ou tirar muita vantagem pode ter consequência gravíssima: a cumplicidade em um crime e no fim uma estadia na cadeia.

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Sobre o Autor

João Antônio Motta é advogado (PUC/RS – OAB em 1982) especialista em obrigações e contratos, com ênfase em direito bancário, econômico e do consumidor. É autor do livro “Os Bancos no Banco dos Réus“ - Ed. América Jurídica, (Rio de Janeiro, 2001).

E-mail de contato: contato@jacmlaw.com

Sobre o Blog

Este blog traz informações independentes sobre bancos, segurança, cobrança, investimento e outros temas que ajudam no seu dia a dia com as instituições financeiras.

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